O Governo do Estado da Bahia, através do convênio entre o Instituto de Gestão das Águas e Clima (INGÁ) e o Senai/Cetind, e o Instituto do Meio Ambiente (IMA), vem realizando o monitoramento e a coleta de amostras de água nos sete pontos utilizados pela população do município de Caetité, para analisar a contaminação por urânio, de forma contínua, a cada dois meses, desde outubro de 2008.
Pontos da região de Caetité foram incluídos no Programa Monitora, que avalia a qualidade da água dos cem principais rios da Bahia de todas as bacias hidrográficas do Estado dentro de diversos parâmetros físicos, químicos, biológicos e específicos.
Na última coleta, realizada no início de fevereiro, foram encontrados traços insignificantes de urânio, em quantidades abaixo do Limite de Quantificação do Método da metodologia de análise laboratorial e do previsto na Resolução Conama 357/05, na Bacia de Acumulação Joaquim Ramiro e no Poço de Captação de Abastecimento do Povoado de São Timóteo, ou seja, que não representam riscos à saúde humana e ao meio ambiente.
As análises seguem os limites determinados pela Portaria 518/04 do Ministério da Saúde - sobre potabilidade da água para consumo humano; da Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) 357/05 – sobre parâmetros de qualidade dentro da classificação de corpos d’água; da Resolução Conama 396/08 – sobre parâmetros de qualidade para classificação de águas subterrâneas; e dos limites máximos permitidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
O INGÁ irá aprofundar os estudos sobre a qualidade das águas superficiais e subterrâneas da região de forma contínua, informou Wanderley Rosa Matos, diretor de Monitoramento e Informação do INGÁ.
Histórico do monitoramento
A primeira coleta e análise das águas superficiais e subterrâneas de Caetité foi feita pelo INGÁ e o Senai/Cetind em outubro de 2008, quando foi detectada a presença de urânio acima dos padrões permitidos pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) e pelo Ministério da Saúde em um dos sete pontos analisados. A concentração de urânio encontrada foi de quase cinco vezes acima dos limites mínimos permitidos pelas leis federais sobre o tema, representando riscos à saúde humana e ao meio ambiente.
A contaminação foi encontrada apenas no poço 67, utilizado para consumo por cinco famílias do distrito de Juazeiro, no município de Caetité. Considerando o princípio da precaução, os órgãos de meio ambiente e saúde do Governo do Estado da Bahia decidiram pela suspensão imediata do consumo da água deste poço específico, e foi providenciado pela Prefeitura Municipal o abastecimento de água alternativo.
Visando proteger as famílias que estão na região, principalmente do povoado de Juazeiro, o Governo do Estado interditou o poço contaminado e levou informações claras e precisas à população e às instituições públicas sobre tudo que está acontecendo, em audiência pública e através de ampla divulgação. Está também aprofundando os estudos sobre a qualidade das águas superficiais e subterrâneas da região de forma contínua.
Segunda coleta
A segunda coleta foi realizada pelo INGÁ e o Senai/Cetind na primeira quinzena de dezembro, e a análise dos resultados foi concluída na primeira quinzena de janeiro. Os locais de captação foram a torneira pública da praça do povoado de Juazeiro; a Barragem de Águas Claras; a Barragem do povoado de Buracão; o poço de captação de água para abastecimento do povoado de São Timóteo; a Lagoa de São Timóteo; e no Poço João Criolo.
Providências
O monitoramento das águas de Caetité faz parte de uma série de ações adotadas pelo Governo do Estado, após denúncias de contaminação por urânio em águas da região, feitas pela ONG Greenpeace, e a constatação da presença do metal no poço 67, em análise realizada pelo INGÁ e Senai/Cetind.
Ainda não foi possível avaliar o causador da contaminação em Caetité. Os resultados preliminares não indicam se a contaminação encontrada foi provocada pela atividade de mineração da INB ou se é natural, devido à presença do urânio no solo da região. A radioatividade presente na água pode vir de contaminação natural pela situação geológica do local.
Estão sendo realizados estudos de avaliação sobre o fluxo da água subterrânea a partir do mapeamento geológico da região. O INGÁ está fazendo ainda o cadastramento dos poços existentes na região, a identificação do tipo de uso da água da população local para fazer o cruzamento dos dados existentes, o mapeamento da geologia do local, a existência do urânio na água e a identificação de todos os riscos para uma avaliação mais precisa da qualidade da água. Todos os poços estão sendo monitorados continuamente pelo Governo do Estado da Bahia para melhor caracterização da qualidade da água.
A situação está sendo acompanhada pelo INGÁ, autarquia da Secretaria do Meio Ambiente do Estado, pela Secretaria Estadual de Saúde, através da Superintendência de Vigilância e Proteção à Saúde (SESAB/SUVISA), e pela Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Combate a Pobreza, através da Coordenação Estadual de Defesa Civil (SEDES/ CORDEC).
10/03/09
Ascom INGÁ
Mais informações:
Letícia Belém/ Yordan Bosco/ Brenda Medeiros/Patrícia Moreira
(71)3116-3042/3215/3286/3<... |